Área de Intervenção

     

A área de intervenção do projeto engloba toda a área terrestre da Deserta Grande e Ilhéu Chão, incluídas na parte terrestre da ZEC Ilhas Desertas (PTDES0001). Todo o ecossistema desta área tem extremo interesse, sendo a parte terrestre constituída pelos habitats referidos na Diretiva Habitats: 1250 - Falésias com flora endémica das costas macaronésias (Flora endémica); 5330 – Matos termomediterrânicos pré-desérticos.

Esta área possui um património natural único que é constituído por um elevado nº de taxa (218 espécies e subespécies) endémicos da região Biogeográfica da Macaronésia, do Arquipélago da Madeira ou do próprio sítio.

As aves marinhas, os moluscos terrestres, os artrópodes e as plantas são aqueles grupos que assumem maior relevo e suscitam maiores preocupações de conservação. Desde a descoberta destas ilhas que este património tem sido condicionado e ameaçado por inúmeras ameaças, com particular destaque para a presença de espécies exóticas com caráter invasor. Se forem tomadas medidas de gestão adequadas no sentido de controlar ou erradicar as ameaças postas pela presença dessas espécies, existem condições para reverter a situação, fazendo com que este importante nicho de biodiversidade atinja uma situação de equilíbrio.

 

Distribuída em pouco mais de 2000 ha, a malacofauna terrestre das ilhas Desertas é riquíssima, sendo constituída por 33 espécies, das quais 27 são endémicas e 20 exclusivas da área de projeto (Ilhéu Chão e Deserta Grande), ocupando todos os habitats existentes, desde as zonas com vegetação esparsa e rasteira até as áreas de declive com rocha desnuda.

O isolamento destas ilhas há 1MA, permitiu a especiação dos taxa, resultando nos 82% de endemismos e nos 61% de taxa exclusivos. Quer o ilhéu Chão quer ainda a Deserta Grande, possuem espécies exclusivas e cuja área de ocorrência é inferior a 1 km2, sendo disso exemplo os taxa Actinella laciniosa (ilhéu Chão) e de Actinella actinophora descendens e Discus guerinianus (Deserta Grande), que é uma espécie presente no Anexo II da Diretiva Habitats.

A especificidade ecológica das espécies endémicas, que possuem na sua maioria uma área de distribuição atual reduzida, associada às ameaças que tendem sobre estas, faz com que 24 % da malacofauna das Desertas tenha sido avaliada como Em Perigo, de acordo com a IUCN (2012). Destas, 5 espécies ostentam o estatuto de vulneráveis (ex: Caseolus leptosticus micromphalus) e 3 estão avaliadas como estando em perigo crítico (ex: Discula lyelliana).

 

Para o grupo das aves marinhas, as ilhas Desertas constituem uma das mais importantes áreas de nidificação da Macaronésia e de todo o Atlântico Norte, com a presença, na área de projeto, de espécies extremamente vulneráveis (seis espécies constantes no Anexo I da Diretiva Aves). As aves marinhas que aqui nidificam incluem-se nas ordens Procellariformes e Charadriformes. Nos Procelariformes - aves marinhas pelágicas- incluem-se a cagarra Calonectris borealis, a alma-negra Bulweria bulwerii, o roque-de-castro Hydrobates castro e o pintainho Puffinus lherminieri baroli. São espécies inerentemente vulneráveis para as quais esta área representa um dos últimos refúgios europeus e mundiais. Nos Charadriformes - aves marinhas costeiras – inclui-se a gaivota-de-patas-amarelas Larus michahellis atlantis e o garajau-comum Sterna hirundo. No geral, a tendência populacional de cada uma destas aves é positiva ou pelo menos estável. As aves acima mencionadas, com exceção da gaivota-de-patas-amarelas, são espécies migratórias, aparecendo nestas áreas durante o seu período reprodutivo.

Algumas aves terrestres que ocorrem nesta área constituem taxa endémicos ao nível da macaronésia ou do arquipélago, como é o caso do corre-caminhos Anthus bertheloti madeirensis, do francelho Falco tinnunculus canariensis, da manta Buteo buteo harterti ou da coruja Tyto alba schmitzi.

Muitas outras aves de várias espécies visitam ocasionalmente esta área, sobretudo nas épocas de invernada ou migração, como é o caso da garça-branca-pequena Egretta garzetta ou coruja-do-nabal Asio flammeus.

 

A flora das ilhas Desertas é peculiar e rica em plantas específicas da região macaronésica, apresentando exclusividades madeirenses e três endemismos da Deserta Grande: uma hepática – Frullania sergiae – e duas espermatófitas – Sinapidendron sempervivifolium e Musschia isambertoi.

O ilhéu Chão apresenta uma vegetação em bom estado de conservação. Da riqueza da flora, destaca-se a presença de dois endemismos raros Beta patula e Phalaris maderensis. No topo aplanado podemos encontrar uma grande diversidade de plantas endémicas herbáceas, das quais se salientam uma área considerável de jasmineiros-amarelos Jasminum odoratissimum e de zambujeiros Olea maderensis.

A Deserta Grande contempla maior diversidade de habitats e plantas. No litoral existem várias espécies endémicas e indígenas, como Calendula maderensis, sendo que nas falésias, as rochas se apresentam cobertas por líquenes, salientando-se a couve-da-rocha Sinapidendron sempervivifolium, endémico desta ilha. Uma outra espermatófita endémica Musschia isambertoi, encontra-se apenas numa pequena fajã no lado leste da ilha. Outras espécies relevantes com ocorrência nesta área, embora mais raros, são as prioritárias Chamaemeles coriacea e Convolvulus massonii, ou ainda as espécies constante nos anexos da Diretiva Habitats Calendula maderensis, Monizia edulis ou Semele androgyna.

 

Os artrópodes terrestres constituem um dos mais importantes grupos animais, dado os elevados valores de riqueza específica com que se fazem representar na maioria dos ecossistemas, mas também pelos importantes papéis ecológicos que neles desempenham. São diversos os grupos de artrópodes terrestres que apresentam géneros endémicos ou um grande número de espécies endémicas, em virtude de fenómenos extraordinários de radiação evolutiva, que estão presentes na área de projeto.

Entre os organismos mais vulneráveis à extinção encontram-se muitas espécies de insetos. Tal deve-se ao facto de que diversas destas espécies são endémicas ocorrendo em áreas bastante reduzidas, pelo que extremamente vulneráveis às alterações que facilmente podem conduzir à sua extinção. Por outro lado, a estreita associação que muitos insetos têm com a sua planta hospedeira, na qual muitas vezes desenvolvem todo o seu ciclo de vida, torna-os extremamente vulneráveis a situações de co-extinção. Diversas espécies de insetos que ocorrem no arquipélago da Madeira enquadram-se neste grupo muito suscetível à extinção, tendo já sido identificadas algumas delas como merecedoras de ações prioritárias de conservação.

Neste contexto, destacam-se os casos dos escaravelhos Paradeucalion desertarum (Wollaston, 1854) - espécie muito rara, endémica das Desertas, e estritamente associada à sua planta hospedeira - e Eurygnathus latreillei (Laporte, 1834) – espécie rara, endémica de Porto Santo e das Desertas, e com uma distribuição muito localizada. É importante levar a cabo medidas que promovam a recuperação dos seus habitats, dada a sua crescente deterioração devido à presença de um conjunto de espécies invasoras, particularmente nocivas.

A destruição da vegetação natural pelas cabras ou pela expansão de Phalaris aquatica, a par da predação exercida por murganhos e gaivotas, constituem importantes fatores de ameaça que decerto terão contribuído para o declínio populacional de muitos dos endemismos destas áreas, incluindo as espécies prioritárias já identificadas.

A presença da formiga-argentina Linepithema humile tem motivado preocupação sobre os eventuais efeitos negativos causados às espécies nativas. Trabalhos recentes, ainda não publicados, têm demonstrado como esta espécie domina muitos dos ecossistemas em que se encontra e é também responsável por impactos graves na nidificação de algumas espécies de aves. Os impactos da formiga-argentina nas comunidades nativas de artrópodes terrestres e nos processos ecológicos (polinização, dispersão de sementes) não foram ainda avaliados, mas tendo em conta a informação disponível de outros locais onde esta espécie invasora ocorre, sabemos que potencialmente poderão ser muito negativos.

Contacto Instituto das Florestas e Conservação da Natureza - IPRAM

 

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